14/01/2009 - 02:53 por Christianity Today International

A divergência dos Emergentes

Líderes esperam que a descentralização do poder revitalize o movimento.

John Franke: “Somos apenas um pequeno nó da discussão mais ampla”

Como um grupo do Movimento Emergente recentemente se distanciou de suas bases, a própria rede resolveu afastar seu líder. A decisão do Conselho de diretores da Emergent Village de eliminar o cargo de coordenador nacional foi o mais recente sinal de que o movimento é descentralizador ou desintegrador.

Os membros do Conselho disseram que eliminaram o cargo de Tonny Jones, em outubro do ano passado, para recuperar os propósitos originais da Emergent Village enquanto uma “organização de rede social igualitária”. “Nós estamos devolvendo o poder de emergir às pessoas que estão no nível mais humilde dessa discussão”, disse Jones.

A decisão deixa obscuro o futuro da liderança emergente. “Nós sabemos como lidar com organizações tradicionais”, disse Brian Mclaren, um dos membros do Conselho e um dos mais proeminentes do grupo de pastores. “Não sabemos conduzir redes [mas sabemos] que há um espaço para lideranças em redes”.

Mclaren diz que existem dúvidas sobre a rotulação em si. “Para muitas pessoas o termo ‘emergente’ lhes tem permitido permanecer no mundo evangélico”, ele disse. Para outros que estão de fora da discussão, ele admitiu, a denominação tornou-se o apelido de uma teologia herege ou um modismo cultural.

Mesmo dentro da própria rede, alguns estão começando a evitar o vocabulário emergente. O conhecido blogueiro Andrew Jones (conhecido na Internet como “Tall Skinny Kiwi” - “Kiwi Magricelo”) tem diminuído o vocabulário emergente em suas conversas. “A palavra não transmite mais o que eu quero que ela transmita”, ele diz, “então, mesmo que eu ainda apóie o movimento da Igreja emergente, vou deixar de usar a palavra para mim mesmo e para os ministérios que apoiamos”.

Além disso, vários pensadores uma vez associados ao movimento, incluindo o pastor Dan Kimball e o professor Scot Mcknight, formaram uma nova rede provisoriamente chamada de Origins (Origens), dedicada a “amigos, pioneiros, inovadores e catalisadores que queiram sonhar e trabalhar juntos pelo evangelho, ao invés de solitários”.

No entanto, o Conselho do Emergent Village continua otimista sobre o futuro. Mclaren apontou para grupos, como os emergentes Presbiterianos e Anglicanos como exemplos de intercâmbios que estão acontecendo fora do Emergent  Village.

Tais grupos incentivam John Franke, professor de teologia no Seminário Bíblico e membro do Emergent Village. “Nós nunca pensamos que teríamos este intercâmbio”, diz ele. “Somos apenas um pequeno nó da discussão mais ampla”.

Após sua demissão, Jones está esperançoso de que críticos e proponentes estejam menos propensos a concordar com a opinião que alguns oradores e escritores proeminentes têm sobre cada um que identificam como emergente. “Na melhor das hipóteses”, ele diz, “os participantes poderão entrar para a liderança e eu sinto que pode haver um grande domínio na rede”.

Líderes do movimento emergente reconhecem os riscos da descentralização. O trabalho em rede, valor central do movimento, pode tornar-se difícil com a ausência de uma pessoa específica. E alguns têm se preocupado com líderes ambiciosos que possam tentar agregar-se à rede.

Mas Jones espera que a descentralização das redes emergentes americanas dê a seus participantes em todo o mundo, que não têm acesso a livros e outros recursos utilizados por seus pares americanos, mais liberdade para expressarem-se. “Em qualquer momento você pode destronar o homem branco super bem-educado, espalhafatoso, impetuoso”, ele disse, “as pessoas sentem mais sinceridade se as suas vozes são ouvidas”.


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