domingo, 29 de janeiro de 2012

200 mil documentos de Martin Luther King disponível online

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200 mil documentos de Martin Luther King disponível online

Redação em 22/01/12 - via: http://catracalivre.folha.uol.com.br

Reprodução

Site conta com uma navegação dinâmica

Fundado em 1968 como um centro de mudança social não violenta, o The King Center  é referência em preservação histórica. Na última semana o centro disponibilizou um arquivo online com 200 mil documentos de Martin Luther King Jr, o líder dos direitos civis da população negra.

Entre os papéis digitalizados é possível encontrar telegramas, notas rabiscadas, apelos urgentes e até o rascunho de seu discurso do Prêmio Nobel de 1964.

O arquivo permite que você navegue por temas e por tipo de documento com filtros de pessoas e locais, além de possuir uma busca por palavras chaves.

Todos os documentos estão disponíveis em alta qualidade o que dá opção de ampliar e se deslocar por toda as páginas.

O arquivo está disponível em thekingcenter.org/archive.

Peixes grandes e pequenos

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Peixes grandes e pequenos
por Ed René Kivitz - http://edrenekivitz.com/blog

Na esteira do pensamento paralelo de Dostoiévski, que afirma que, se Deus não existe, tudo é permitido, podemos dizer também que a pluralidade de deuses conspira contra a unidade do ser. A ausência de Deus tira do universo e da humanidade seu fundamento moral. Caso tudo quanto exista seja apenas e tão somente a matéria, a substância originária e permanente de toda a realidade, podemos viver como os peixes grandes que devoram os peixes pequenos. Quem deseja tomar a natureza como padrão para a organização social não tem razões para dar de comer a quem tem fome. O popular já expressou sua sabedoria egoísta: quanto menos somos, melhor passamos. Deixem morrer os pobres, que desapareçam as populações da periferia do mundo, assim teremos mais água, mais petróleo, mais condições de sustentabilidade para o mundo, diminuído o número de seu maior predador, a saber, o bicho homem.

Apenas a nocão de Deus como ser moral oferece à humanidade o fundamento da solidariedade indiscriminada. Essa é uma das grandezas do relato bíblico da criação: em Adão, todos os seres humanos são um, pois sobre todos repousa a dignidade divina. Jesus ensinou que assim como todas as moedas são identificadas pela imagem de César, também todos os seres humanos são identificados pela imago Dei.

O fundamento ético do universo e da humanidade repousa no amor, expressão do ser divino que a tudo dá origem. Isso implica necessariamente a compreensão de que a correlação que liga o homem a seu semelhante se realiza na compreensão de uma correlação superior, a que liga o homem a Deus e Deus ao homem, cuja síntese se revela no Cristo, Deus feito homem, único mediador entre Deus e o homens.

Essas são algumas razões porque, assim como a negação de Deus, a pluralidade de deuses inviabiliza a unidade do ser. Sendo verdadeiro que a relação do homem com Deus se manifesta na relação do homem com seu próximo, é imprescindível a pergunta a respeito do caráter desse Deus, que normatiza a relação entre os homens. Muitos deuses, muitas éticas. Muitas éticas equivale a éticas em conflito em busca de hegemonia. Como os deuses não brigam entre si, brigam seus representantes (ou se preferir, os deuses brigam entre si através de seus pretensos representantes). O monoteísmo cristão, que afirma a unidade de três pessoas numa única divindade, diz que Deus é amor, a comunhão harmônica e perfeita do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Qualquer Deus vestido com roupas diversas do amor é um ídolo, um falso Deus, um demônio. A dedução óbvia é que muitos deuses são artifícios para o surgimento de um único e outro deus que pretende rivalizar com o Deus vivo e verdadeiro. Esse outro deus atende pelo nome de ego humano, que, no caminho inverso do amor, mergulha para dentro de si na pretensão estúpida de afirmar a si mesmo como fundamento do universo e centro do mundo. A idolatria e a descrença, isto é, a afirmação de muitos deuses e a afirmação de Deus nenhum, são duas faces de uma mesma moeda: a absolutização do ego humano.

Uma vez que somente na relação com seu semelhante – com quem é um – o ser humano se realiza, e que somente Deus oferece o fundamento para a unidade da humanidade, toda negação do amor, que equivale ao afastamento do outro, equivale também à desintegração do ser. Em termos concretos, Deus nenhum e muitos deuses são uma e a mesma coisa.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Divina Intervenção - “O vocalista dos Raimundos morreu aos 27 anos”

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Edição 61 - Outubro

Divina Intervenção

Há uma década, Rodolfo Abrantes trocou o papel de líder de uma das maiores bandas de rock do Brasil pelo Evangelho. Hoje, decreta sem olhar para trás: "O vocalista dos Raimundos morreu aos 27 anos"
Rodolfo
Foto: Marcos MoreiraVeja a galeria completa
por FILIPE ALBUQUERQUE

No último mês de maio, em um pequeno palco sob uma tenda em uma rua residencial da cidade de Araucária, Paraná, Rodolfo Abrantes era o convidado especial do aniversário da Igreja Bola de Neve local. Enquanto o Raimundos, sua ex-banda, se apresentavam para cerca de 45 mil pessoas a 30 quilômetros dali, em Curitiba, Rodolfo se postava diante de aproximadamente 200 pessoas, em uma estrutura semelhante à de uma festa junina, com lona colorida e espetinhos de carne à venda para o público. Rodolfo tocou até quando a chuva permitiu – depois, a água acabou desligando os equipamentos. Antes disso, botou para pular algumas dezenas de adolescentes sem medo da chuva, com "Minha Maior Riqueza", do álbumSantidade ao Senhor (2006), e "Saudade de Casa", de Enquanto É Dia (2007).

"O Rodolfo dos Raimundos morreu aos 27 anos", decreta ele próprio, quando o encontro pela terceira vez em um mês, agora em São Paulo, sete dias após a morte de Amy Winehouse. Relembrando como o vi na outra ocasião, se apresentando em um palco simples no interior paranaense, aquela sentença faz todo sentido. Embora as roupas deste até coubessem naquele dos anos 90 – jaqueta preta de náilon, blusa de flanela xadrez, calça jeans e botas –, ali, sob frio e chuva, cantando sobre o que Deus fez em sua vida, fica evidente que o Rodolfo do Raimundos não existe mais. Então, quem é esse homem com físico de atleta, tatuagem forrando os braços e subindo pelo pescoço, guitarra pendurada quase na altura dos joelhos, que canta versos como "Só Jesus faz meu dia melhor/ Tu és o motivo de me sentir cada vez mais vivo/ Te chamo de pai, tu és tudo o que eu preciso/ Rei eterno e meu Deus vivo"?

Rodolfo Abrantes é hoje um missionário. Aos 39 anos, é membro da Igreja Bola de Neve em Balneário Camboriú (SC), onde mora. Cita trechos da Bíblia com a facilidade de um teólogo veterano. Passa os finais de semana na estrada, acompanhado por sua banda atual e, na maioria das vezes, pela esposa, Alexandra, com quem está casado há dez anos. Desde então, tem o rock como um veículo para falar de Jesus. Durante a semana, pega onda e, sempre que precisa, realiza voluntariamente os cultos das quartas-feiras na igreja local. Para sua fase "zen-cristã-surfista", a cidade do litoral catarinense é o cenário ideal. Seu sustento vem das vendas de CDs, cachês das apresentações e contribuições voluntárias das igrejas onde toca.

Encontro Rodolfo pela segunda vez em um sábado, 2 de julho, descarregando os próprios equipamentos em uma entrada lateral da Bola de Neve, em Curitiba. Ao seu lado, estão o baixista Victor Pradella, de longos dreadlocks, o baterista Anderson Kuehne "Xexéu" ("meus melhores amigos", ele diria mais tarde) e um cinegrafista que registrou três dias na vida do ex-Raimundos para um programa de TV. Rodolfo e a banda são os convidados do aniversário de cinco anos do motoclube da igreja, com foco em ação social e na evangelização de seus pares.

Enquanto a igreja enche lá fora, Rodolfo relaxa jogando videogame no backstage. Victor, Xexéu e um amigo de Rodolfo, vindo de Camboriú, se revezam em partidas de Pro Evolution Soccer. Quando Rodolfo assume o joystick, os amigos se preparam para rir. Xexéu alerta: "Ele costuma ficar nervoso quando joga". Com a seleção brasileira da Copa do Mundo de 2006, o vocalista enfrenta a Argentina. "O Gilberto Silva é uma velha", solta, enquanto vê o meio-campo argentino botar na roda o brasileiro. A Argentina faz 1 a 0 e Victor e Xexéu gargalham. Mesmo com a derrota, a tensão se vai assim que o jogo acaba – depois do show, Rodolfo retoma o game e, enfim, vence os rivais. Antes de subirem ao palco, os três se juntam para uma última oração.

No show, Rodolfo intercala as músicas com mensagens rápidas à audiência: "Que a altura da nossa alegria seja proporcional à autenticidade da nossa adoração". Ao sentir o clima favorável, após um tempo cantando o verso "Deus, vem derramar tua vida em mim", ele olha para Victor e diz, duas vezes: "É agora". Ali, se desfaz da guitarra e inicia a pregação, na qual repassa a sua história e aponta para os céus.

Nascido em 20 de setembro de 1972, no Distrito Federal, Rodolfo Gonçalves Leite de Abrantes cresceu em uma cidade cuja identidade ainda estava em formação. Filho de médicos paraibanos que migraram para a capital do país a fim de concluírem os estudos, ele estava fora do padrão: não tinha pais políticos ou diplomatas. O orgulho de ser brasiliense veio com a geração roqueira local, que ele viu nascer a algumas quadras da sua casa (em frente à do amigo guitarrista Digão), em um bar chamado Gilbertinho. Dali até o Raimundos, foi um pulo.

"Tudo o que sabiam de mim era 'Rodolfo dos Raimundos'. E aquela coisa louca... parecia que eu era aquilo. Só que eu não era aquilo, eu tinha me tornado aquilo", ele diz. "Fiquei muito diferente do que eu estava, não do que eu era. Porque aquele dos Raimundos não era o que eu era, mas o que eu estava." Sentado no confortável sofá do backstage, ele se esforça para se explicar. "Deus foi me transformando; ele transforma a gente de dentro para fora. Então, hoje sou diferente do que eu estava, mas não estou diferente do que eu era." A saída de Rodolfo do posto de frontman do Raimundos se deu uns cinco meses após sua entrada para a igreja, em 2001. E a tempestade de críticas deixou-o de guarda armada em um primeiro momento. "[À época] eu não dava entrevista, eu fazia a minha defesa. Eu estava num tribunal sendo acusado de ter traído o rock", ele lembra, emendando uma pergunta com uma resposta. "Meu, eu não posso fazer o que eu quiser da minha vida? Não, pelo jeito não."

Veja aqui o making of da matéria.

Articulado, Rodolfo fala sempre com aspecto pensativo, buscando uma linha de raciocínio que explique sua decisão, sustentado por suas próprias experiências – a restauração de um relacionamento em frangalhos, o abandono das drogas, a cura repentina de uma doença misteriosa e o desejo de agradecer eternamente a quem o curou. Sem rancor por quem o chamou de "louco" quando deixou uma das mais bem-sucedidas bandas de rock do país para se dedicar ao estudo daBíblia, ele diz entender cada paulada recebida pela mudança. "Foi uma opção minha", Rodolfo afirma, fazendo uma pausa dramática. "E tudo tem seu preço. Ouvi bastante e ainda ouço até hoje. Mas independentemente do que dizem pra você, a maneira como você reage é o que determina o quanto isso te afeta." Incomodado com as críticas que recebeu, Rodolfo só sentia a necessidade de se explicar. "Ficava muito ofendido, queria me defender, me justificar. E quanto mais eu explicava, menos as pessoas entendiam." Um dia, decidiu desencanar. "Parece que Deus eleva o meu pensamento: 'Filho, olha mais de cima, tem um porquê esse barulho todo'. Parece que ele me permitiu chegar ao ponto mais alto da minha carreira pra, quando todo mundo pudesse me ver, me sacudir, começar a trabalhar em mim. Esse ato de Deus na minha vida despertou a atenção das pessoas pra Ele. De uma forma ou de outra, as pessoas pelo menos pararam para pensar a respeito. E isso já é positivo." Uma busca pelo assunto na internet dá a temperatura da confusão que o ato causou nas cabeças dos fãs do Raimundos. "A internet é um lugar excelente para covarde se manifestar", diz Rodolfo, ressaltando que nunca houve abordagem agressiva, cara a cara. Hoje, após dez anos sem se desviar do caminho que escolheu, ele tem certeza de que seu encontro com Deus não foi mera piração de uma cabeça fritada pelas drogas. "Permanecer [na fé] faz com que as pessoas tenham até mais respeito quando vêm falar algo, porque pensam: 'Não é fogo de palha. Não é mais um artista que se converteu e saiu pelado em revista'." Lá se vão dez anos de um outro Rodolfo. Nem falsas notícias sobre a possível volta ao Raimundos o incomodam. O boato mais recente surgiu na mesma semana em que ele se apresentou em Araucária, na mesma noite em que a ex-banda tocou em Curitiba. "Pelo menos duas vezes por ano me voltam pros Raimundos", ele afirma, se referindo aos rumores como um desrespeito aos ex-colegas de grupo. "Se o cara é fã dos Raimundos, fã mesmo, respeita a banda como ela está." Mas não foi sempre assim, calmo, que Rodolfo lidou com o tema. Se hoje ri das histórias, há cerca de dois anos quis dizer o que pensa. Ele afirma que havia até empresários envolvidos "falando de valores muito altos e... cara, eu não voltaria por valor algum. Não porque eu tenha algum problema com a banda. Amo os caras, não tenho problema com isso. É simplesmente uma postura da minha vida. Meu caminho é este, minha vida é falar de Jesus".

A última vez em que Rodolfo esteve com os antigos parceiros de Raimundos foi em 2007, no velório do pai, em Brasília. O guitarrista, Digão, o baterista, Fred, e o baixista, Canisso, apareceram para oferecer os ombros ao amigo. Desde então não se falaram mais. "O Canisso tocou comigo no Rodox um tempo. A gente sempre se deu muito bem. Não que não me desse bem com os outros, mas parece que o Digão e o Fred ficaram muito magoados", Rodolfo lembra. O tempo, ele acredita, trará cura a eventuais resquícios de problemas, deixando claro que, de sua parte, nunca houve mágoas. "Saí por minha causa, não por causa deles. Quando falo que não gosto do meu passado, não gosto de quem eu era."

E aquele Rodolfo quem era? Segundo o próprio, um insatisfeito. Não havia quantidade de drogas ou sexo suficientes para torná-lo pleno. A maconha, diz, dava as coordenadas. "Acordava, fumava um. Antes de comer, fumava um. Depois de comer, fumava um. Se eu não tivesse nada pra fazer, fumava um. Se eu tivesse algo pra fazer, fumava um antes e um depois e, se pudesse, fumava um durante também." Além da erva, usou também ácido, ecstasy e cocaína. "Mas meu negócio mesmo era o bagulho. E uma cervejinha."

Rodolfo não credita o fato de ter deixado a banda à conversão à igreja, embora assuma que uma coisa esteja ligada a outra. "O que melhor explica a minha saída da banda é o fato de eu ter me tornado uma pessoa muito diferente da que estava naquela banda. Eu não cabia mais ali." A fala moderada, calculada, desarma quem esperava um religioso pronto para o revide.

Esparramado no sofá, boné do Flamengo na cabeça, falando pacientemente enquanto o volume da passagem de som invade a sala, Rodolfo faz questão de afirmar que pautou suas escolhas pela coerência. "Se tem uma coisa que eu não mudei até hoje é o fato de que eu canto o que vivo. A doideira que eu cantava nos Raimundos era a doideira que eu vivia. Então, não tinha mais a cara de pau de cantar um negócio em que eu não acreditava, que eu não vivia [mais]. E aí, sim, entra o mérito de... por eu ter me entregado a Cristo. Porque eu comecei a viver uma vida nova, e ele começou a me transformar em quem eu deveria ser desde o princípio."

Quem ele deveria ser desde o princípio, segundo o próprio Rodolfo, começou a ser forjado quando encontrou Alexandra, sua esposa. Em 1994, o Raimundos abriu a turnê Acid Chaos, que colocou Ramones e Sepultura para rodar o país. Ali, ele conheceu uma menina de 15 anos, professora de inglês em Balneário Camboriú, contratada pela produção para ser intérprete dos pais do punk. Realizando o sonho da adolescência, Rodolfo, então com 22, investiu em Alexandra por três dias e tudo o que conseguiu, além de um beijo, foi um número de telefone. "Com essa eu caso", disse na época. "Era a mulher da minha vida", ele afirma hoje. A promessa virou realidade. No início da década de 2000, já namorados, ela deixou Camboriú para morarem juntos em São Paulo. Mas as coisas saíram do prumo e as brigas eram diárias. Com a situação insuportável, Alexandra, que é filha de evangélicos, procurou uma pastora de quem, anos antes, havia ganhado uma Bíblia. A corrente de contatos a levou a uma igreja pentecostal na periferia da cidade e a um grupo de senhoras da igreja, daquelas de coques na cabeça e saias bem abaixo dos joelhos, que foram convidadas a orar na casa dos Abrantes.

Rodolfo conseguiu escapar das primeiras duas reuniões, mas não da terceira: em uma segunda-feira, deu de cara com as mulheres na porta do apartamento. As coisas começaram a mudar ali. A cura de uma doença estomacal e um chute nas drogas alguns meses depois deram início à nova fase.

Em pregação recente em uma igreja de Curitiba, Rodolfo relembrou um fato especial da época: após uma oração feita por uma das senhoras, caroços que cresciam em partes diferentes de seu corpo desapareceram. Foi a mesma pastora que havia dado a Bíblia a Alexandra quem lhe disse, enquanto orava com as mãos sobre ele: "Jesus está te livrando de um câncer".

Em São Paulo, dias depois, reencontro Rodolfo no intervalo de um congresso realizado em uma igreja instalada onde antes havia a casa de shows Olympia – lugar no qual, muitos anos atrás, Rodolfo se apresentara frente ao Raimundos. Ele sugere uma lanchonete em uma loja de um supermercado, a duas quadras da sede da Bola de Neve, para retomar a conversa iniciada em Curitiba. Um casal o reconhece, mas não o aborda. Com um gorro enterrado na cabeça e a barba por fazer, como um coiote mexicano da fronteira com os Estados Unidos, Rodolfo já havia tomado lugar em uma das mesas.

Ele conta que, no dia 4 de fevereiro de 2001, fumou maconha pela última vez. Enquanto tragava, dizia para o cigarro: "Você é o último". Tinha 27 anos. Depois daquele, jura nunca mais ter usado nada. O Rodolfo dos Raimundos morreu ali. "Quando eu parei de fumar maconha, aos 27... olha, que nem a Amy Winehouse!", ele surpreende-se, comentando sobre a cantora recém-falecida: "É como se eu a conhecesse, porque eu vivi aquilo".

Os primeiros a serem avisados da decisão de Rodolfo foram os pais, por telefone. O pai atendeu, a mãe correu para a extensão, como sempre fazia. Primeiro, avisou que estava noivo. Mas havia mais a ser dito: "Não uso mais droga", conta, com os olhos marejados. E ele lembra do silêncio no telefone, antes do grito do pai: "'E você usava, rapaz?' Na hora, pensei: 'Pô, eu só canto sobre isso, você já me buscou na delegacia duas vezes'". Da mãe, ouviu os soluços pela extensão.

O rockstar deu lugar ao adulto família. E hoje se mostra um entusiasta convicto do casamento: "O Rodolfo casado é muito mais feliz do que o solteiro", diz. A presença de um cinegrafista de televisão, a entrevista para a Rolling Stone e o convite para participar do programa Altas Horas, tudo em um prazo de três dias, são para Rodolfo um sinal de que é hora de dar um passo além. "A gente tem orado para Deus abrir cada vez mais portas para o ambiente fora da igreja, brother", crê. Um álbum com inéditas, produzido por Ricardo Vidal, deve ser lançado em 2012. Sobre o novo desafio musical, ele diz querer encarar sem fazer concessões. "É um negócio de levar o que a gente está vivendo dentro da igreja para fora, sacou? Sem maquiagem."

Para Rodolfo, o objetivo é mostrar o que Deus fez na vida dele e o que ele entende ser factível na vida de muitos. Nem que isso signifique enfrentar dificuldades, como a que encarou em uma cidade no interior da Bahia, em 2009. Convidado para realizar uma espécie de culto ao ar livre, ele estava com o pé imobilizado por uma contusão e se posicionou em uma praça vazia, no clima banquinho e violão. Naquela hora, o país assistia à final da Copa das Confederações entre Brasil e Estados Unidos. À distância, punks xingavam Rodolfo – "Só ouvia os palavrões de longe" – e cerca de dez evangélicos, fiéis ao pastor da igreja, acompanhavam o evento. "Apareceu um rasta com um baseado deste tamanho e começou a soprar a fumaça na minha cara. O palco era baixinho, e eu estava sentado", ele conta. "Há algum propósito nisso?", foi a pergunta que fez a si mesmo. Naquela hora, pregou e, segundo lembra, "um cara entregou a vida dele para Jesus". Quando decidiu orar para encerrar a programação, fogos espocaram no céu: o Brasil acabara de virar a partida. "A galera ficou louca nos apartamentos em volta, uma gritaria." Rodolfo entende o ocorrido como parte dos planos de Deus. "Jesus queria estar ali, mas então estava eu, e era daquele jeito que tinha de ser", resume. "Experimentei grandes palcos, grandes festivais, e nada me fez tão feliz quanto o momento em que estava ali, de olhos fechados, adorando Ele."

Rodolfo não escuta os antigos trabalhos de sua ex-banda, tampouco procura vídeos na internet para refletir sobre o passado. Quando esbarra com a sua imagem de dez, 15 anos atrás, macaqueando pendurado em um microfone, enxertando sotaque nordestino cheio de más intenções na emulação de punk e hardcore feita pelo Raimundos, não se reconhece. É como se, em seu lugar, sempre tivesse havido outro. São as mesmas características, mas outras pulsações.

"Cara, é algo muito estranho", ele pensa, sorrindo. "É o mesmo nariz, algumas tattoos são as mesmas, mas eu não consigo me lembrar do que eu pensava. Tento imaginar o que me levou a falar aquilo." É como se de fato aquele Rodolfo fosse outro, tal qual previsto na passagem bíblica registrada no segundo livro de Coríntios, capítulo 5, versículo 17: "Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas velhas já passaram e tudo se fez novo". "É outra vida, brother", ele decreta, calmamente. "Eu não consigo entender aquele cara."

QUANDO O CARA SE ACHA...

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O que rola na livraria quando ninguém está olhando?

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Um casal dono de uma livraria independente de Toronto, Canadá, decidiu gastar algumas (dezenas, acredito) noites em claro para fazer esse vídeo em stop motion. Puro presente para os leitores, contando o que os livros fazem dentro Typebooks, quando a livraria está fechada e todos dormem.
Como amor a livros é coisa séria, o casal contou com uma lista de leitores voluntários que ajudaram mexendo e remexendo os livros ao som da trilha sonora simpática. Tudo está à venda lá. Pela postagem deles no Twitter @typebooks, parece ser mais um caso de livraria com dificuldades de se manter, eles pedem que as pessoas comprem livros.
Espero que dê certo, pois pelas cenas, o lugar entra fácil na listinha das livrarias do mundo que valem uma visita. Quem sabe um dia?

FONTE: http://www.livrosepessoas.com

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

7 características das igrejas que cometem abuso espiritual (Não a ver com Jesus)

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7 características das igrejas que cometem abuso espiritual (Não a ver com Jesus)


 1) Scripture Twisting (Distorção da Escritura): para defender os abusos usam de doutrinas do tipo "cobertura espiritual", distorcem o sentido bíblico da autoridade e submissão, etc. Encontram justificativas para qualquer coisa. Estes grupos geralmente são fundamentalistas e superficiais em seu conhecimento bíblico. O que o lider ensina é aceito sem muito questionamento e nem é verificado nas Escrituras se as coisas são mesmo assim, ao contrario do bom exemplo dos bereanos que examinavam tudo o que Paulo lhes dizia. 

2) Autocratic Leadership (liderança autocrática): discordar do líder é discordar de Deus. É pregado que devemos obedecer ao ditador, digo discipulador, mesmo que este esteja errado. Um dos "bispos" de uma igreja diz que se jogaria na frente de um trem caso o "apóstolo" ordenasse, pois Deus faria um milagre para salvá-lo ou a hora dele tinha chegado. A hierarquia é em forma de pirâmide (às vezes citam o salmo 133 como base), e geralmente bastante rígida. Em muitos casos não é permitido chamar alguém com cargo importante pelo nome, (seria uma desonra) mas sim pelo cargo que ocupa, como por exemplo "pastor Fulano", "bispo X", "apostolo Y", etc. Alguns afirmam crer em "teocracia" e se inspiram nos líderes do Antigo Testamento. Dizem que democracia é do demônio, até no nome. 

3) Isolationism (Isolacionismo): o grupo possui um sentimento de superioridade. Acredita que possui a melhor revelação de Deus, a melhor visão, a melhor estratégia. Eu percebi que a relação com outros ministérios se da com o objetivo de divulgar a marca (nome da denominação), para levar avivamento para os outros ou para arranjar publico para eventos. O relacionamento com outros ministérios é desencorajado quando não proibido. Em alguns grupos no louvor são tocadas apenas músicas do próprio ministério. 

4) Spiritual Elitism (Elitismo espiritual): é passada a idéia de que quanto maior o nível que uma pessoa se encontra na hierarquia da denominação, mais esta pessoa é espiritual, tem maior intimidade com Deus, conhece mais a Biblia, e até que possui mais poder espiritual (unção). Isso leva à busca por cargos. Quem esta em maior nível pode mandar nos que estão abaixo. Em algumas igrejas o número de discipulos ou de células é indicativo de espiritualidade. Em algumas igrejas existem camisetas para diferenciar aqueles que são discípulos do pastor. Quanto maior o serviço demonstrado à denominação, ou quanto maior a bajulação, mais rápida é a subida na hierarquia. 

5) Regimentation of Life (controle da vida): quando os líderes, especialmente em grupos com discipulado, se metem em áreas particulares da vida das pessoas. Controlam com quem podem namorar, se podem ou não ir para a praia, se devem ou não se mudar, roupas que podem vestir, etc. É controlada inclusive a presença nos cultos. Faltar em algum evento pro motivos profissionais ou familiares é um pecado grave. Um pastor, discípulo direto do líder de uma denominação, chegou a oferecer atestados médicos falsos para que as pessoas pudessem participar de um evento, e meu amigo perdeu o emprego por discordar dessa imoralidade. 

6) Disallowance of Dissent (rejeição de discordâncias): não existe espaço para o debate teológico. A interpretação seguida é a dos lideres. É praticamente a doutrina da infalibilidade papal. Qualquer critica é sinônimo de rebeldia, insubmissão, etc. Este é considerado um dos pecados mais graves. Outros pecados morais não recebem tal tratamento. Eu mesmo precisei ouvir xingamentos por mais de duas horas por discordar de posicionamentos políticos da denominação na qual congregava. Quem pensa diferente é convidado a se retirar. As denominações publicam as posições oficiais, que são consideradas, obviamente, as mais fiéis ao original. Os dogmas são sagrados. 

7) Traumatic Departure (saída traumática):
 quem se desliga de um grupo destes geralmente sofre com acusações de rebeldia, de falta de visão, egoismo, preguiça, comodismo, etc. Os que permanecem no grupo são instruídos a evitar influências dos rebeldes, que são desmoralizados. Os desligamentos são tratados como uma limpeza que Deus fez, para provar quem é fiel ao sistema. Não compreendem como alguém pode decidir se desligar de algo que consideram ser visão de Deus. Assim, se desligar de um grupo destes é equivalente a se rebelar contra o chamado de Deus. Muitas vezes relacionamentos são cortados e até familias são prejudicadas apenas pelo fato de alguém não querer mais fazer parte do mesmo grupo ditatorial.

***
Ronald M. Enroth, americano, sociólogo da religião, que escreveu um livro a respeito do abuso espiritual (Churches that abuse), após horas e mais horas de depoimentos de ex-membros de grupos religiosos dos EUA.

RPG Cristão para PC! Baixe Gratuitamente

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Gente, olha que legal... baixem e comentem lá no site deles: http://internautascristaos.blogspot.com/2012/01/lancamento-rpg-cristao-para-pc-baixe.html

Lançamento: RPG Cristão para PC! Baixe Gratuitamente

Caminho EstreitoDepois de 50 dias de muito trabalho, finalmente estamos lançando o game de RPG para computador intitulado Caminho Estreito.

O jogo pode ser baixado gratuitamente no link abaixo. Jogue e faça suas críticas.

 

 

DOWNLOAD GRATUITO

>> Caminho Estreito Versão 1.0 <<

>> Caminho Estreito Versão 1.2 << Atualizado dia 21/01/2012

 

SINOSPE

O game conta a história do jovem Cristão (inicialmente chamado de Desesperado) que mora na Cidade da Condenação, mas foge de lá com medo das tropas da Lei, que querem entregá-lo ao tribunal da Ira do Todo-Poderoso.

Ele ouve falar que há um local conhecido como Reino das Bem-Aventuranças, governado por um soberano chamado Príncipe da Paz, o qual recebe pecadores. Então ele parte em viagem rumo a esse reino, mas encontra muitos desafios pela frente. Os emissários do Senhor das Sombras o espreitam a cada instante do caminho buscando uma forma de desencaminhá-lo ou fazê-lo desistir da jornada.

Armado com a espada do Espírito e o escudo da fé, enfrente demônios, orcs, ladrões, ateus, místicos e o próprio Diabo numa aventura incrível rumo à Cidade da Eterna Liberdade.

 

IMAGENS

Sem título 2

Sem título 14

Sem título 17

Sem título 16

Sem título 21

Sem título 34

Sem título 32

Sem título 30

Sem título 27

Sem título 12

 

COMO JOGAR

Movimento: ←↑↓→

Ação (conversar, abrir portas, empurrar objetos, lutar, etc): Space ou Enter

Acessar Menu: Esc ou X

Tela Maior: F7

Tela Cheia: F8

Configurações: F1

 

DÊ SUA OPINIÃO

Depois de jogar, faça suas críticas aqui. Levaremos em consideração quando produzirmos novos jogos.

O que achou do jogo?

É muito fácil? Ou muito difícil?

Não está conseguindo passar determinada fase?

Não conseguiu baixar?

Teve dificuldade na instalação?

Encontrou algum bug, erro de português, erro teológico, etc?

Conseguiu chegar no final? Quanto tempo levou?

O jogo é muito longo? Ou muito curto?

Gostaria que fizessemos mais jogos nesse estilo?

Tem sugestões e ideias para outros títulos? 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

PARA QUEM CRITICA O FENÔMENO LUIZA, QUE JÁ VOLTOU DO CANADÁ:

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Acho uma bobagem o Carlos Nascimento criticar a fama da Luíza. Admiro ele, mas o comercial só ficou engraçado e prestamos atenção nele por que o pai citou a filha, caso contrário seria mais um comercial que nem notaríamos.


Será que eles não escolhem nenhuma pauta idiota mas engraçada para o jornal só para atrair audiência a um jornal que quase ninguém assiste?


Falar mal do BBB eu entendo, mas do sucesso da frase do pai da Luíza acho uma bobagem. Um comercial tosco que fez quase todo mundo rir e, por segundos, levou e leva milhares de brasileiros a se divertirem cada vez que a frase é citada(tudo bem que já ficou passada rs) e inspirou a criatividade de muita gente. EU RI MUITO!

O jornal dele é capaz disso? Ou vai me dizer que um jornal onde passa 90% de desgraça nos faz mais inteligentes?

Por favor.....