sábado, 20 de fevereiro de 2010

Xand, ex-paquito que vive como missionário no Níger, teme país após golpe

Oremos por eles.
Alexandre Canhoni, que foi o paquito Xand, vive há oito anos no Níger. Último lugar em desenvolvimento humano, país sofreu golpe militar.
Foto: Arquivo pessoal
O ex-paquito Alexandre Canhoni mostra cápsulas de balas encontradas em ruas de Niamey
Um dos países mais pobres do mundo, último colocado do ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, o Níger pode ter sua situação ainda mais agravada após o golpe militar que depôs o presidente na quinta-feira (18), afirma o brasileiro Alexandre Canhoni.
Mais conhecido no passado como o paquito Xand do "Xou da Xuxa", Alexandre vive há oito anos no país africano, onde, junto com a mulher e outros quatro brasileiros, desenvolve trabalhos humanitários com crianças na organização evangélica Guerreiros de Deus.
"Estamos pedindo que não aconteça o aumento do preço dos alimentos, que já são caros aqui. O pouco que tem já está acabando e, como as fronteiras estão fechadas, pode faltar água e alimento", disse o brasileiro, por telefone de Niamey, ao 
G1.
Foto: AFP 
Foto tirada nesta sexta-feira (19) mostra marca de tiro no palácio presidencial do Níger, em Niamey.
"As informações aqui são muito imprecisas. Ontem houve muitas manifestações, bombas e tiros aqui na capital, as ruas foram bloqueadas e nós estrangeiros fomos aconselhados por todos a ficar em casa", relatou. 
  • Aspas Nas ruas não tem quase ninguém. As pessoas não querem se arriscar a fazer qualquer coisa."
Sem televisão em casa, Alexandre contou ter ouvido de vizinhos que o presidente Mamadou Tandjua e vários ministros haviam sido presos pelo militares. Há 10 anos no poder, Tandja, de 71 anos, dissolveu no ano passado o Parlamento e o Tribunal Constitucional e prolongou seu mandato por pelo menos mais três anos em um referendo realizado em agosto – o que vem provocando protestos. 
O brasileiro, que disse nunca ter presenciado nada semelhante no país, teme agora pelas iniciativas de ajuda ao país. "Não sabemos o que pode acontecer. Quem vai assumir agora junto com o sistema militar pode mandar ONGs e associações embora", afirma.

Foto: Arte G1
Mapa localiza Níger.
De acordo com Alexandre, a organização em que atua, que atende a cerca de 1,2 mil crianças na capital e em outras oito vilas próximas, reúne outros 27 voluntários africanos – chamados de "obreiros" - e sobrevive de doações. São oferecidas refeições e aulas gratuitas de alfabetização em francês, marcenaria, dança e corte e costura. Um centro esportivo foi erguido na cidade de Mailo, a seis horas de carro da capital. 
Sem sede própria, o atendimento é feito na própria casa em que o brasileiro vive. Nesta sexta-feira (19), segundo ele, poucas crianças apareceram e a segunda refeição do dia foi cancelada. "Nas ruas não tem quase ninguém. As pessoas não querem se arriscar a fazer qualquer coisa."
Também nesta sexta, a junta militar que derrubou o presidente anunciou o fim do toque de recolher no país e a reabertura das fronteiras. Segundo o comunicado, ministros que foram presos junto com o presidente deposto devem ser soltos em breve.
Tanques e veículos equipados com metralhadores seguiam espalhados pela manhã no bairro do palácio presidencial.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Alexandre Canhoni e crianças nigerinas que recebem apoio no país de pior qualidade de vida do mundo.
FONTE: G1/Notícias Cristãs 

0 bereianos:

Postar um comentário