segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um crente bonzinho + um crente bonzinho + um crente bonzinho não fazem um país bonzão

 
Um crente bonzinho
+ um crente bonzinho
+ um crente bonzinho não fazem um país bonzão



Parece que foi ontem. Nos anos 80 os evangélicos eram 5% da população e, hoje, falamos em alto e bom som em algo próximo a 20%. Bem, o país não melhorou tanto assim e, se melhorou, é difícil constatar que se deve ao crescimento do número de evangélicos.

Talvez essa idéia venha da crença de que, por exemplo, os Estados Unidos são o que são porque são um país de crentes. Bobagem. Se tal raciocínio é válido, devemos explicação para o caso do Japão, da Arábia Saudita, entre outros. Ou, como nos lembra Paul Freston, essa idéia fixa se deve a um certo messianismo, que é próprio dos cristãos -- não sem razão -- e nos leva a repetir frases como "só Deus pode salvar o Brasil" e coisas do gênero. É bom ter cuidado. Quando ouvimos "só Deus", muitas vezes querem nos dizer "só os evangélicos".

Pensando bem, se o meu carro ou o vaso sanitário da minha casa apresentam algum defeito grave, eu nunca pergunto ao mecânico ou ao bombeiro hidráulico a sua filiação religiosa antes de contratá-lo para os reparos de praxe. Aliás, nem posso dizer se ele é ateu, macumbeiro ou testemunha de Jeová. Meus critérios são outros, a saber, a sua habilidade e experiência em lidar com carro velho ou entupimentos pouco amigáveis.

Por que não fazer o mesmo ou usar critérios semelhantes -- no caso, critérios políticos -- no processo político-eleitoral? Afinal, não estamos escolhendo pastores ou diáconos para as nossas igrejas. Agora, se você quer saber se "irmão vota em irmão"... Depende do irmão.

Marcos Bontempo, editor. www.ultimato.com.br


Leia o livro
Cristianismo e Política, Robinson Cavalcanti
Religião e Política, Sim; Igreja e Estado, Não, Paul Freston

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