sábado, 17 de maio de 2008

Novo filme de Walter Salles, ‘Linha de passe’, trata de futebol e evangélicos

16 de Maio de 2008 às 14:34

Novo filme de Walter Salles, 'Linha de passe', trata de futebol e evangélicos 

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Em Cannes para apresentar seu novo longa-metragem, "Linha de passe", o diretor brasileiro Walter Salles está a apenas algumas horas de conseguir ter a primeira noite decente de sono… em 17 dias. Em entrevista a jornalistas brasileiros na tarde desta sexta-feira (16), em Cannes, Salles revelou que "Linha do passe", seu novo longa-metragem, foi finalizado ontem, na marca do pênalti para a exibição na mostra competitiva do festival, que será realizada na manhã deste sábado.

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"A cópia do filme que vocês vão ver ficou pronta ontem ao meio-dia a tempo de pegar o avião. Estava em Los Angeles quando o anúncio da seleção saiu e fizemos a mixagem em seis dias", contou.

Dirigido em parceria com Daniela Thomas, o filme conta a história de quatro jovens da periferia de São Paulo, filhos de mãe solteira. Para Salles, a obra trata de "jovens que tentam se reinventar na periferia", seja por meio de trabalhos como motoboys, seja pela religião ou mesmo pelo futebol.

"O universo do futebol nas chamadas peneiras (seleções de jogadores em clubes profissionais) é muito diferente do que a gente vê. Lá, ele é visto ao mesmo tempo como uma possível saída para milhões de jovens, mas também pode ser uma decepção que acontece muito cedo na vida", explica Salles.

Sobre a briga pela Palma de Ouro, o diretor diz que não arrisca palpite sobre a tendência do júri deste ano, presidido pelo astro Sean Penn. "Só sei que ele é um grande ator e diretor", afirma. "Não faço idéia se temos chance ou não."

Na disputa, Walter Salles vai enfrentar outro brasileiro, Fernando Meirelles que, com Matheus Nachtergaele, que participa da mostra Um Certo Olhar, engrossa a representação brasileira no festival. "Fazia tempo que não tínhamos tantos brasileiros selecionados, mas é interessante perceber que não há uma unidade entre os filmes. Não é como no cinema argentino, em que a produção é mais homogênea", diz Salles. "Mais importante do que a quantidade de filmes brasileiros no festival é a quantidade de filmes latino-americanos, somados. Isso sim é representativo."

Diego Assis, do G1, em Cannes

Foto: Diego Assis/G1

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